O livro A Mecânica das Águas (The Waterworks, no original), publicado em 1994 e lançado no Brasil em 1995 pela editora Companhia das Letras, é um aclamado romance histórico e policial escrito pelo renomado autor americano E. L. Doctorow. Ambientada na Nova York de 1871, a obra funciona tanto como uma narrativa de mistério quanto como um profundo documento social sobre os contrastes de uma metrópole em pleno crescimento pós-Guerra Civil Americana.
O Enredo Principal
A história se passa em uma Manhattan cinzenta, chuvosa e moralmente ambígua. O ponto de partida ocorre quando o jovem jornalista Martin Pemberton avista seu pai, Augustus Pemberton, cruzando uma rua movimentada dentro de um transporte público. O grande mistério é que Augustus, um milionário cruel que enriqueceu de forma ilícita durante a guerra, havia sido declarado morto e sepultado há pouco tempo.Quando Martin desaparece logo após iniciar sua própria busca por respostas, o editor de jornal McIlvaine, que atua como o narrador da história, assume a missão de investigar o paradeiro do rapaz e a suposta ressurreição do pai. Essa jornada coloca McIlvaine em contato com o capitão de polícia Donne e revela uma conspiração sinistra nos bastidores da cidade.
Temas Centrais
Modernidade versus Macabro: O livro equilibra o progresso científico do século XIX com o declínio moral dos que usam o avanço técnico para fins egoístas.A Elite corrupta de Nova York: Através do pano de fundo histórico, o autor explora a era de "Boss" Tweed e a ganância corporativa que ditava as regras da cidade.Genialidade e Loucura: A trama mergulha em experimentos médicos sombrios, onde cientistas brilhantes ultrapassam os limites da ética humana em busca da imortalidade e do controle.Atmosfera e Estilo Literário. Doctorow constrói uma atmosfera gótica e labiríntica que remete a clássicos de Edgar Allan Poe e Charles Dickens. O título A Mecânica das Águas faz uma alusão direta ao antigo complexo de reservatórios de água da cidade (o Croton Aqueduct), que serve como um dos cenários principais e funciona como uma metáfora perfeita para a infraestrutura oculta, fria e mecânica que movimenta o poder e a própria sobrevivência em Nova York.

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